quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Fevereiro: mês novo, vida nova

São 1h45 da manhã aqui e eu, claro, ainda estou acordada. Tenho problemas pra dormir sempre que saio da minha zona de conforto, então vocês imaginem o tamanho das minhas olheiras.

Fiquei duas semanas sem dormir de saudade e de preocupação. Claro que não foram duas semanas perdidas: não quero fazer isso aqui parecer uma novela mexicana, vejam bem. Só quero deixar transparecer que não foi fácil (e ainda não está sendo, anyway). Depois da saudade bizarra, a maior angústia e a questão que mais me preocupava era: E O RAIO DO APARTAMENTO? O dia de sair do Cafofo - rue D’Ormesson, metrô Saint Paul, Le Marais – estava cada vez mais perto e nada. Achamos um apartamento perfeito (ta, quase: sem TV e sem internet, mas isso se resolve), a duas estações de metrô da faculdade (Mãe, juro que quando for primavera ou parar de fazer tipo 0, -1 grau aqui eu vou andando), num dos melhores bairros de Paris, numa rua maravilhosa... mas nada se resolvia. A agente imobiliária, mademoiseille H. Barande - que, devido aos acontecimentos recentes, ganhou o carinhoso apelido de H. Baranga – só complicava a nossa vida. Todo dia pedia novos documentos ou adiava a assinatura do contrato. Até ontem, terça-feira (31/01), a gente não tinha certeza absoluta se ia conseguir assinar o contrato hoje. Imaginem o meu desespero, sabendo que a gente precisava sair hoje do Cafofo? Foi muito perrengue. Muito. Faltou pouquinho pra eu não perder a cabeça. Mas aí, eu olhava pra Duda, a amiga que estava desenrolando tudo com a agente e também estava nessa luta de apartamento sozinha, 2 semanas antes de eu chegar e... nessas horas eu percebia que não podia reclamar. Não podia cair. Ia complicar a vida dela, que já estava com mil responsabilidades nas costas, e a minha. Não sei de onde tirei força, mas tirei. O máximo que eu pude fazer foi dividir todas as angústias, todos os problemas e todas as preocupações de igual pra igual.

Hoje, escrevo pra vocês deitada no meu lindo sofá-cama enorme, 4o andar, em frente a uma escola primária, entre duas estações de metrô, na sala do nosso lar parisiense até julho. Ainda não estou acreditando, to meio em estado de choque. Desfiz minha mala, tá tudo guardado nos armários (sim, temos armários!), to debaixo do edredom (absurdo de caro, em euros) e, finalmente, muito mais relaxada. A partir de agora os problemas que vierem serão meros desconfortos comparados à angustia de não saber se ia ter uma casa quando saísse do apartamento temporário. Tô sem TV, sem internet, mas tô incrivelmente bem. Nem imagino a minha felicidade quando essas maravilhas da tecnologia estiverem funcionando aqui. Sinto muita falta delas, sim. Mas amanhã terei um prazo pra que elas sejam instaladas, então acho que vai melhorar. Ficarei 100% com tudo isso instalado aqui.

Ainda com muita saudade, ainda lembrando muito de casa, ainda muito tudo. A diferença – eu acho – é que agora eu consigo controlar um pouco melhor.

(Não sei quando vou conseguir postar esse texto no blog, já que como eu tenho muita sorte, a internet da faculdade simplesmente não quer rodar no meu computador, e preciso caçar alguém (quem????) pra me ajudar nisso. Não postei nada antes pois, realmente, o bicho estava pegando. Não tinha cabeça nenhuma pra contar nada. Mas já tenho boas idéias anotadas no iPhone e na memória! Bisous)